Sessão especial na Câmara homenageia centenário do Tata Benzinho

Fotos: Valdemiro Lopes/Ascom-CMS

A Câmara Municipal promoveu, na noite desta quarta-feira (27), no Plenário Cosme de Farias, uma sessão especial em comemoração ao Centenário de Esmeraldo Emetério de Santana, mais conhecido como Seu Benzinho, Tata do Terreiro Tumba Junsara, do Engenho Velho de Brotas. O homenageado presidiu a Federação Baiana do Culto Afro-Brasileiro (Febacab) por 11 anos e completaria 101 anos no dia 3 de março deste ano.

A sessão, presidida pelo vereador Gilmar Santiago (PT), reuniu representantes das nações Ketu, Angola e Jeje. Os cânticos da cerimônia foram entoados pelo Cortejo Siobá e as Mulheres de Yansã, com fundo musical executado pelos Ogãs. “Tata Benzinho foi uma figura fundamental para a consolidação da cultura e vivência do Candomblé na Bahia, por sua dedicação em defender a religião de matriz africana através de sua atuação frente à Febacab e da sua inserção nos diversos terreiros de candomblé da Bahia, não importando a nação, pois transitava muito bem em todas elas”, justificou Gilmar.

O vereador fez questão de falar sobre alguns dos feitos do Tata à frente da Federação. “Benzinho realizou várias ações que contribuíram para o fortalecimento do candomblé da Bahia, a exemplo da aproximação com o Movimento Negro Unificado. Ele iniciou o cadastramento dos terreiros e centros religiosos da Bahia, tendo o cuidado de visitar cada um deles”, afirmou. A comemoração do Centenário de Esmeraldo Emetério de Santana começou na terça-feira (26), com um ciclo de palestras no Centro de Cultura da Câmara com o tema “O sagrado sob a perspectiva acadêmica e religiosa”, com a participação de acadêmicos, sacerdotes e sacerdotisas do candomblé.

O secretário da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro, Antoniel Bispo, contou como a força e persistência de Benzinho levou ao reconhecimento do candomblé como religião. “A Febacab deu origem ao que é hoje a Federação Nacional. Antes dela, que se originou em 1975, pelo esforço dele e de outros, os terreiros tinham que pedir autorização para realizar seus rituais na Delegacia de Jogos e Costumes. Naquela época o candomblé era considerado uma seita. Hoje temos nossos Pais e Mães de Santos reconhecidos como sacerdotes afros”, destacou Antoniel.

Figura de referência no candomblé, Tata Benzinho deixou um legado cultural em forma de participações nas universidades da Bahia, bem como um acervo de músicas cantadas e tocadas por ele que incluem rezas e pontos de nkise. O líder religioso participou de momentos importantes, inclusive na academia, e possui vários registros em livros e trabalhos acadêmicos com seu testemunho e opiniões.

Falecido em 7 de agosto de 2011, deixou como viúva Marina Santana, com quem foi casado por 52 anos. “Ele é merecedor de todas as homenagens. Foi um bom pai, bom esposo e bom amigo. Deixou um legado para a cultura e para todos nós”, disse Marina. “O historiador Cid Teixeira dizia que meu pai era uma enciclopédia viva da Angola e eu fico feliz por ver que o conhecimento dele não se perdeu. Ele está sendo perpetuado”, avaliou a filha do homenageado, Edna Santana.

A mesa da sessão especial foi composta, ainda, pela coordenadora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Araní Santana, pela Yalorixá do Terreiro Unzo Tubemci, Mãe Zulmira França, pelo representante da Sociedade e Irmandade dos Ogãs, Ojés e Tatas, Asogún Walter Rui, pelo Tata do Terreiro Nzo Kuna Nkos’i, Márcio Eustáquio e pelo filho do homenageado e Tata do Terreiro Tumba Junsara, Esmeraldo Filho.

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