Gilmar Santiago sugere paralisar obra do La Vue e acionar a direção nacional do IPHAN


Suspender a construção do edifício La Vue, na Ladeira da Barra, até que novos laudos técnicos sejam elaborados, e acionar a Presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para que se pronuncie sobre o parecer de um coordenador regional foram os encaminhamentos do vereador Gilmar Santiago (PT), na audiência pública sobre “Licenças para Construções em Salvador e o Caso La Vue”, realizada nesta terça-feira (17), no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador.


Promovida pelo mandato de Gilmar Santiago e a Comissão dos Direitos do Cidadão da Câmara, presidida pelo vereador Everaldo Augusto (PCdoB), a audiência teve a participação dos vereadores Arnando Lessa (PT), Aladilce Souza (PCdoB), da presidente da Associação de Amigos e Moradores da Barra (Amabarra), Regina Martinelli, do diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Daniel Colina, da coordenadora de Fiscalização da Sucom, Isaura Andrade, e do conselheiro estadual das Cidades, Henrique Barreiro.


“A discussão sobre o La Vue é emblemática porque se dá no contexto da elaboração de mais um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) que tem como único objetivo legitimar edificações como essa e o interesse do mercado imobiliário”, observou Gilmar, lamentando que a bancada do prefeito tenha impedido que a discussão fosse feita pela Comissão de Planejamento Urbano.


Para Regina Martinelli, o La Vue vai agravar o tráfego já caótico da Barra, além de agredir uma paisagem onde existem sítios históricos tombados. Barreiro ressaltou que o coordenador regional do IPHAN que deu parecer favorável à construção é engenheiro civil e não tem atribuição para isso. “É um contrassenso, o prefeito limita o tráfego na Barra mas libera um prédio de 28 apartamentos com quatro garagens para cada”, completou.


O La Vue terá mais de 30 andares, contando as garagens, e cerca de 106 metros de altura, sendo que o primeiro andar corresponderá ao último do prédio mais alto do bairro (18 andares). O prédio é alvo de protesto da Amabarra e do IAB, que acionaram o Ministério Público Estadual. Segundo denúncia encaminhada ao MP, a prefeitura concedeu o alvará de construção com base em parecer isolado de um coordenador do IPHAN.

O parecer do coordenador contraria um anterior, de duas técnicas do Escritório Técnico de Licenças e Fiscalização (Etelf), extinto logo em seguida. Elas argumentam que a construção impacta, agride e tira a visibilidade de monumentos e áreas tombadas, a exemplo da igreja de Santo Antônio, o Cemitério dos Ingleses, os fortes de Santo Antônio e Santa Maria.

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