Povo de santo, católicos, evangélicos e espíritas pregam união e harmonia contra a intolerância

Fotos Reginaldo Ipê/Ascom CMS


A importância da união contra a intolerância religiosa e pela convivência harmoniosa foi destacada por representantes do povo de santo, evangélicos, católicos e espíritas na audiência pública ‘Diversidade Religiosa, Por Direitos Iguais’, sexta-feira (6), no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador. Os participantes pregaram respeito à liberdade de culto.

Organizador da audiência, junto com a Comissão da Reparação da Câmara, o vereador Gilmar Santiago (PT) destacou que ela faz parte da preparação para a XI Caminhada pela Diversidade Religiosa e Direitos Iguais, que no dia 15 de novembro, às 14h, sai do Engenho Velho da Federação. E sugeriu que a partir de 2016 as audiências integrem o calendário das caminhadas. Uma das organizadoras da caminhada, a mãe Valnízia de Ayrá, do Terreiro do Cobre, lembrou que casos de violência em decorrência da intolerância religiosa são constantes e que o evento não tem ajuda dos poderes públicos.


O vereador Silvio Humberto (PSB) disse ser estranho que em uma cidade onde temos um Orixás Center, prédios com nome de Orixás e um dos maiores cartões postais, o Dique do Tororó, com a representação dos orixás, ainda haja tanta intolerância. Já a secretária estadual de Políticas para Mulheres, Olívia Santana, afirmou que a intolerância religiosa e o racismo se confundem e é preciso união para combatê-los.


Veteranos do diálogo inter-religioso, o Padre Zé Carlos, da Boa Vista de São Caetano, e o Pastor Djalma Torres, da Igreja Batista Nazareth, estavam à vontade em uma mesa e plateia onde predominaram representantes de religiões de matriz africana. “Na minha família, tenho espíritas, testemunhas de Jeová e candomblecistas. Sou católico, mas não podemos esquecer as muitas ações da Igreja contra o povo negro. É necessária uma reparação”, declarou.


Já Djalma Torres, após os búzios da ialorixá Mãe Stela de Oxossi passou a ser o Pastor Djalma de Ogum. “Os búzios de Mãe Stela me renderam um artigo do historiador Jaime Sodré intitulado Pastor Djalma de Ogum. Por outro lado, os setores evangélicos mais radicais passaram a me chamar de ‘Pastor do Diabo’. Temos que aprender a respeitar todas as religiões”, afirmou Djalma Torres.



Também participaram da audiência pública o vereador e Pastor da Assembleia de Deus, Antônio Mário (PSB), Makota Valdina, Mãe Ana de Ajaguna, Pastor Enoque Oliveira, da Assembleia de Deus, Madson Menezes, da Juventude Presbiteriana, e Samira Soares organizadora da Marcha do Empoderamento Crespo.

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