Três anos de mandato, três secretários de Educação e o mesmo programa lançado três vezes

Três anos de mandato, três secretários de Educação e o mesmo programa lançado três vezes. Esta é a análise do vereador Gilmar Santiago (PT) sobre o programa de creches e pré-escolas, lançado no penúltimo ano de mandato do prefeito ACM Neto, que pretende “duplicar” o número de vagas no ensino fundamental.


“Primeiro, o prefeito e o secretário Guilherme Bellintani têm que provar que existem 20 mil vagas no município para crianças de zero a seis anos”, desafiou o vereador, destacando que o governo estadual oferece mais vagas no ensino fundamental II em Salvador que a prefeitura. Segundo Gilmar, o programa de creches e pré-escolas foi lançado três vezes como forma de encobrir que Salvador tem a pior educação infantil entre as capitais. “Educação não é entretenimento, querem transformar a educação em entretenimento”, ironizou.


Gilmar lembrou, ainda, que a prefeitura não utilizou os recursos disponibilizados pelo governo federal para creches alegando falta de terrenos de 1.800 metros quadrados para o mínimo exigido e, no entanto, está vendendo terrenos de maior metragem ao mercado imobiliário e vai fazer creches de 300, 400 metros quadrados.


O vereador vai sugerir à Comissão de Educação da Câmara que faça um levantamento do custo dos contêineres que a prefeitura contratou para colocar os alunos da rede pública municipal de ensino. “Falta planejamento, tudo é feito na base do improviso na gestão ACM Neto, mesmo depois de três anos e três secretários de Educação”, criticou.


No penúltimo ano da administração, lembra Gilmar, ainda estão em reforma ou demolidas 86 escolas municipais e, enquanto isso, as crianças são colocadas em contêineres ou em escolas com capacidade inferior às salas onde estudavam. Em Fazenda Coutos, a Coelba pediu seis meses para ligar a luz, que funciona com um “gato” direto do poste da rua e os aparelhos de ar condicionando não funcionam.


“Mesmo com todas as críticas de educadores, especialistas e movimentos sociais, foi mantido o programa alfa e beto, uma agressão contra a população da cidade mais negra do Brasil e que vai de encontro à lei 10.639/2013, que prevê a valorização da cultura negra e da contribuição da cultura africana”, destaca o vereador.

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