Organizada por Gilmar Santiago, homenagem a Manoel Rufino reúne cerca de 200 adeptos do Culto Afro


Cerca de 200 pessoas, entre babalorixás, ialorixás, filhas, filhos de Santo, amigos e familiares participaram, na noite de quinta-feira (23), da sessão especial em comemoração ao centenário de nascimento do babalorixá Manoel Rufino de Souza (Rufino do Beiru). A sessão, proposta pelo vereador Gilmar Santiago (PT), aconteceu no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, que foi tomado por cânticos e saudações aos Orixás e ancestrais.

“Fico feliz em celebrar o centenário de alguém que foi muito importante para o Candomblé”, disse Gilmar, recordando que em 2013 promoveu uma sessão especial histórica contra a intolerância religiosa e que até o final do mandato atual pretende homenagear outros sacerdotes e sacerdotisas do Culto Afrobrasileiro. Quando secretário municipal da Reparação, o vereador lançou o projeto de reforma dos Terreiros e é também autor da lei de regularização fundiária dos templos religiosos.

Fundador do Asé do Beiru (Ile Asé Tomin Bocun), Manoel Rufino faleceu em 1973, com 58 anos de idade, por complicações de diabetes. Ao lado de Joãozinho da Goméia e outros contemporâneos, ele contribuiu para a sobrevivência e o fortalecimento da religião em um momento de perseguição pelas autoridades policiais. Para a antropóloga Iêda Castro, estudiosa das línguas africanas, foi um “acadêmico de saberes tradicionais”.

Emocionados, os filhos Nadvalda e Antônio Rufino ouviram os discursos, entre eles o da ialorixá Vanjú, uma das primeiras moradoras do Beiru: “acredite no Axé, somos todos parentes no Axé”, disse ela. “Saudação aos que pautam a sua conduta pelo respeito ao direito de religião”, falou Robinho de Maragojipe, cobrando políticas públicas de respeito às diferenças religiosas e de atenção à segurança, saúde e educação para o povo negro.

Representando a secretaria estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Aílton Ferreira destacou que além da função religiosa e da transcendência divina, o Terreiro é a casa da família. “Os primeiros ecologistas do Brasil foram os Terreiros, ali há respeito aos idosos, às crianças, aos animais, aos gêneros, opções sexuais e à natureza”, enumerou. Filho da Casa de Rufino e um dos coordenadores da homenagem, o Ogã Humberto ressaltou que ele foi um dos precursores da luta pela liberdade do Culto Afro.

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